Impecável, Grêmio dá aula ao Flu no Engenhão em noite de Barcos

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Tricolor gaúcho domina o time carioca e, com grande atuação do Pirata, recupera-se de derrota na estreia. Equipes trocam de posição na tabela.

gremio e fluminense

Quem esperava um confronto equilibrado, deve ter deixado o estádio surpreso e impressionado. Com grande atuação de Barcos, o Grêmio deu uma verdadeira aula de marcação e eficiência na noite desta quarta-feira, no Engenhão, e venceu com tranquilidade o Fluminense por 3 a 0, gols do Pirata (Bruno fez contra, mas arbitragem deu o gol para o argentino), André Santos e Vargas. O atacante chegou ao Rio apenas na noite de terça-feira, após passar alguns dias em Buenos Aires, onde prestou assistência à família após a morte de seu cunhado num acidente automobilístico.

Com o resultado, o Grêmio embolou de vez o Grupo 8, após a vitória por 3 a 1 do Caracas sobre o Huachipato, no Chile. Todos os times agora têm três pontos, mas o Tricolor gaúcho é líder pelo saldo de gols (2), e o clube carioca virou lanterna, também pelo cirtiério de desempate (tem -2). Curiosidade, os quatro jogos da chave até o momento tiveram vitórias dos visitantes.

Barcos comemora gol do Grêmio contra o Fluminense (Foto: Alexandre Cassiano / Ag. O Globo)Barcos comemora diante de incrédulos jogadores do Flu (Foto: Alexandre Cassiano / Ag. O Globo)

A partida no Rio teve 22.151 torcedores presentes (18.947 pagantes), para uma renda de R$ 747.550. Insatisfeitos, os do Flu, que tiveram de aguentar os gritos de “olé” dos gremistas na reta final da partida, não pouparam os laterais Bruno e Carlinhos das vaias.

– Quem joga melhor ganha 90% das vezes. Eles jogaram melhor e mereceram vencer – disse o atacante Fred.

Grande nome do jogo, ao participar diretamente nos três gols, Barcos foi humilde ao comentar o resultado.

– Sabíamos que seria um jogo muito difícil, mas só dependiamos de nós. Ganhar de meio a zero na Libertadores já é importante.

O Fluminense agora enfrenta o Huachipato na próxima quarta-feira, às 22h (de Brasília), no estádio CAP, em Talcahuano, no Chile. Antes disso, no entanto, tem compromisso pelo Campeonato Carioca: enfrenta o Madureira, às 16h, em Moça Bonita, e precisa da vitória para garantir sem sustos a vaga na semifinal da Taça Guanabara. O Grêmio só volta a campo pela Libertadores no dia 5 de março, quando recebe o Caracas na Arena. As atenções estão voltadas para o clássico contra o arquirrival Internacional, neste domingo, às 16h, no Centenário, em Caxias do Sul, pelas quartas de final do primeiro turno do Gauchão.

Equilíbrio, muita marcação e gol contra

O clima quente no estádio se refletiu na partida desde o início. O tiro curto da competição, somada à derrota gaúcha na estreia, deu ares de decisão. No primeiro minuto, Souza perdeu a chance ao cabecear por cima, entregando um cartão de visitas que se confirmaria durante a etapa, na qual o time gaúcho foi mais efetivo e calou os tricolores em alguns momentos.

Houve muitos erros de passe, causados pelo nervosismo e pela marcação ríspida, em especial. Aos 13 minutos, Wellington Nem se estranhou com Cris após ter a bola roubada e reclamar de pênalti. O mesmo atacante, antes, ergueu o pé sobre Souza e o atropelou. Apesar da maior posse, o Flu se irritava com a falta de espaço e cedia cada vez mais contra-ataques.

Quando teve uma brecha, Fred não acreditou. Aproveitando-se de uma saída errada de Pará, Jean tocou de primeira para o camisa 9 que, sozinho, simplesmente parou ao receber a bola, pensando que estava impedido. Mas o próprio Pará dava condição, em suas costas.

E foi de um escanteio do lado esquerdo de ataque, aos 32, que o Grêmio abriu o placar. Elano bateu, Barcos subiu, mas foi o lateral Bruno que desvio, contra, para o fundo da rede, matando Diego Cavalieri, que saltou muito mal. O árbitro assinalou gol para o Pirata, no entanto. Logo depois, a resposta dos cariocas surgiu num chute de longe de Jean – o único que acertou o alvo nos 45 minutos iniciais. Nada que assustasse Dida, que encaixou no centro da meta.

Baile gremista sem reação carioca

Na volta do intervalo, Abel Braga tirou Wagner e pôs Deco, na tentativa de oferecer mais criatividade ao meio-campo. Embora o camisa 20 tenha participado bastante do duelo, o efeito prático foi nulo. Aos 9, Barcos foi lançado na área, driblou Leandro Euzébio, Cavalieri rebateu, mas André Santos, em posição irregular, empurrou devagarinho e ampliou o marcador.

Wellington Nem na partida do Fluminense contra o Grêmio (Foto: Alexandre Cassiano / Ag. O Globo)Nervosos, jogo teve princípio de confusão entre
Nem e Cris (Foto: Alexandre Cassiano / O Globo)

Ainda mais desorganizado, o Fluminense não era capaz de pressionar. Os jogadores pareciam muitos distantes uns dos outros. Os torcedores pediram Thiago Neves e foram prontamente atendidos. Costumeiro desafogo, Nem foi o escolhido para sair. Na sequência, Sobis foi substituído por Samuel. Mas o domínio era gaúcho. Zé Roberto parou na ponta dos dedos de Cavalieri e, no lance posterior, Vargas bateu cruzado após passe em profundidade e venceu o goleiro, aos 23, transformando a grande atuação em um desempenho histórico no Rio.

E tinha mais. Diante de um adversário apático, sem reação, Elano carimbou a trave de longe depois de bola rolada por Barcos. Com o cenário amplamente favorável, Luxemburgo poupou sua equipe e fez duas mudanças. Marco Antônio e Adriano entraram para passar o tempo e evitar abrir mão do saldo de gols construído, que alçou o Grêmio à ponta. Como um último suspiro, Fred deu sua única cabeçada certeira, mas Dida defendeu. E fim de papo.

Fonte: http://globoesporte.globo.com