Calouros de faculdade de Campos, RJ, são recebidos com trote solidário

Postado em

Cerca de 100 novos alunos vão visitar asilos e doar sangue.
Ações de conscientização têm ainda palestra com participação internacional.

Entre as ações do trote solidário, alunos visitam asilos (Foto: Wellington Cordeiro/FMC)Entre as ações do trote solidário, alunos visitam
asilos (Foto: Wellington Cordeiro/FMC)

Para evitar constrangimento e brincadeiras indesejadas com os novos alunos,  a Faculdade de Medicina de Campos dos Goytacazes (FMC), no Norte do Rio, resolveu mudar a forma de dar boas vindas aos calouros. Os novatos passam pelo trote solidário. Entre as atividades programadas estão gincanas educativas, doação de sangue e arrecadação de alimentos que serão doados para instituições de caridade da cidade.

Um dos veteranos que participa da brincadeira é aluno do segundo ano e em 2012 esteve no evento como calouro. “Eu acho que tem que ser assim mesmo, porque os calouros dependem da gente. Aqui nós temos monitoria e os veteranos são os mais velhos e passam as orientações. Então tem que ter essa amizade, porque um ajuda o outro e assim vai. Em 2012, o trote foi assim comigo e foi tudo certo. É muito difícil ser calouro, a pessoa chega perdida”, disse Lucas Paravidino, estudante do segundo ano.

Cerca de 100 novos alunos foram recebidos na instituição de ensino durante o trote solidário. A programação começou na segunda-feira (25) e as atividades vão até a primeira sexta-feira (1) de março. No primeiro dia, os calouros foram recebidos com palestra e aula inaugural e em seguida participaram de brincadeiras com tintas, corte de cabelo e pintura de unhas.

Jovens têm o rosto e unha pintados durante evento em faculdade de Campos, RJ (Foto: Wellington Cordeiro/FMC)Jovens têm o rosto e unha pintados durante evento em faculdade de Campos, RJ (Foto: Wellington Cordeiro/FMC)

Para o diretor da instituição, o médico Nélio Artiles, a profissão de médico exige humanização e é preciso conscientizar os alunos desde o início da faculdade. “Antes nós tínhamos como tradição um trote complicado que trazia atitudes até mesmo violentas. Como pregamos o humanismo no ensino, decidimos proibir o trote vexatório há cerca de cinco anos. Acolher estes alunos depois de tanto sacrifício para serem aprovados é muito importante. Deve ser um acolhimento com respeito e assim tem sido. Visitamos com os calouros várias instituições de apoio”, afirmou o Doutor Nélio.

No último trote, alunos visitaram instituições de caridade em Campos, RJ (Foto: Wellington Cordeiro/FMC)No último trote, alunos visitaram instituições em
Campos, RJ (Foto: Wellington Cordeiro/FMC)

Uma das atrações do trote é uma palestra com dois integrantes do Organismo Canadense de Palhaços Terapêuticos Jovia e a apresentação do espetáculo ‘Sobre Narizes e Jalecos’, da equipe Bando de Jalecos. Os calouros ainda vão para as ruas pedir alimentos que serão doados para instituições de Campos, além de realizar doação de sangue no hemocentro da cidade.

“Nós criamos ações que possam agregar algum valor para esses alunos. Lá atrás, quando a gente proibiu o trote vexatório, a metade deles foi resistente, mas hoje praticamente todos aceitam e querem participar desse jeito. Os alunos passam a ter outra relação durante o curso e a interação é maior. O que eu percebo é que a medida foi 100% positiva”, disse Lúcia Talabadi, coordenadora de cultura da faculdade e uma das organizadoras do evento.

Ainda segundo Lúcia, o aluno que descumprir as regras da faculdade e fizer o trote vexatório pode receber uma advertência ou ser expulso. Se isso acontece fora da faculdade, ele pode ser processado pelo calouro e autuado.

Novatos posam para foto no início do trote da Faculdade de Medicina em Campos, RJ (Foto: Wallington Cordeiro/FMC)Novatos posam para foto no início do trote da Faculdade de Medicina em Campos, RJ (Foto: Wallington Cordeiro/FMC)