O século XIX e os Barões nos Campos dos Goytacazes

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Acervo digital de Cristiano Pluhar
Acervo digital de Cristiano Pluhar

A antiga Vila de São Salvador dos Campos, no início do século XIX, prosperava economicamente por conta das imensas plantações de cana-de-açúcar e, consequente produção de açúcar. A obra de José Carneiro da Silva, Primeiro Visconde de Araruama, Memoria Topographica e Historica sobre os Campos dos Goytacazes com uma noticia breve de suas producções e commercio, publicada em 1819, cita a existência de 400 engenhos de açúcar que funcionavam a partir da mão de obra escrava de mais de 17 mil negros africanos.
A importância da Vila fez com que, em 28 de Março de 1835, fosse elevada à categoria de Cidade de Campos dos Goytacazes. O fato, meramente burocrático e organizativo, produziu grande fervor na elite local. Tanto que, após 20 anos da criação da cidade, discutiu-se a possibilidade de Campos dos Goytacazes se tornar Capital de uma nova Província que abarcaria o município de Leopoldina, Pomba e Presídio, de Minas Gerais e mais São0 João da Barra, Cantagalo, Friburgo e Macaé, pertencentes da Província do Rio de Janeiro: a Província Goytacazes. A concretização desse objetivo, segundo a aristocracia açucareira, aceleraria ainda mais a economia local e serviria, no campo administrativo, ao Império do Brasil que encontrava imensas dificuldades por conta da extensão territorial de algumas Províncias.
Tal objetivo não se concretizou, porém, marcou um período onde Barões comandavam a cidade a partir do poder econômico que acarretava em forte influência política.
O título de Barão era distribuído aos aristocratas que pagassem ou prestassem algum auxílio ao Império do Brasil. Um caso, minimamente curioso, ocorreu com José Martins Pinheiro, grande proprietário de terras e possuidor de número absurdo de 652 escravos. O conhecido Barão da Lagoa Dourada recebeu tal título de nobreza por enviar seus escravos para lutarem na triste Guerra do Paraguai (1864-1870). O mesmo se suicidou ao atirar-se no Rio Paraíba do Sul após falir economicamente (a carta de suicídio deixada pelo Barão da Lagoa Dourada responsabiliza seus escravos pela decadência econômica).
Toda prosperidade financeira, resultou, positivamente, no desabrochar de ideias inovadoras para o momento. No final do século XIX, intelectuais como José do Patrocínio – importante nome abolicionista brasileiro – e Nilo Peçanha – defensor da República – surgiram em uma sociedade conservadora que buscava a modernização sem, obviamente, incluir o negro e o pobre no processo.

Cristiano Pluhar

http://www.historiasdoscampos.com.br

Referências:

PLUHAR, Cristiano. Campos Capital? Os interesses econômicos e políticos distantes do povo. Campos dos Goytacazes: Associação Cultural do Arquivo, 2010.

SILVA, José Carneiro da. Nova edição da Memoria Topographica e Historica sobre os Campos dos Goytacazes – Com uma noticia breve de suas produções e commercio. Rio de Janeiro: Typographia Leuzinger, 1907.