UMA VIDA FAST-FOOD

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Por Raquel da Silva Rodrigues e Luciano Mendes

 As ambiguidades das ações na sociedade moderna são inúmeras. O culto, quase que totêmico, do corpo perfeito, tem levado os indivíduos à busca de produtos que contribuam com o aumento da qualidade de vida e da saúde das pessoas. As ambiguidades surgem quando os programas televisivos reforçam esses preceitos de saúde e de corpo perfeito, mas no mercado de alimentos há a proliferação e disseminação das redes de varejo tipo “fast-food”. Essas redes tem tido aceitação, principalmente dos jovens e adolescentes, devido à diversos motivos como: rápido consumo; fácil manuseio e o sabor agradável.Fast-food-products

Os fast-foods têm se espalhado pelo mundo de forma avassaladora e contribuído diretamente para o aumento de peso das pessoas. O documentário “Super Size Me”, produzido, dirigido e protagonizado por Morgan Spurlock, cineastra americano, mostra que em 30 dias de consumo dos produtos de uma rede de fast food famosa nos EUA, elevou o peso dele em mais de 11 kg, além dos problemas de saúde adquiridos com a dieta. Um outro documentário, chamado “Muito além do peso”, que teve sua estréia no passado, coloca em evidência o efeito negativo do amplo consumo de refrigerantes e de alimentos do tipo “fast food” por crianças, o que tem impactado na obesidade infantil.

Além disso, uma matéria da revista Carta Capital (edição de 26/12/2012) que apresenta estudos onde afirma que os norte-americanos – consumidores assíduos a mais tempo dos fast-foods – já tem a maioria de sua população adulta acima do peso, aproximadamente dois terços. Essa matéria mostra ainda que no Reino Unido 25% do total das mulheres e 24% do total de homens estão obesos.

Uma estimativa apontada na matéria desta revista mostrava que em 2008 1,5 bilhões de adultos estariam acima do peso (praticamente um terço da população mundial). Em 2012, a partir dos dados da pesquisa, essa previsão já foi ultrapassada, pois quase a metade da população mundial encontra-se acima do peso.

Assim, fica evidente que comer o que se quer está cada vez mais acessível, pois os alimentos industrializados das redes de fast-foods podem ser encontrados com maior facilidade e por preços menores. Atualmente, diga-se de passagem, a facilidade é maior para encontrar alimentos poucos saudáveis do que alimentos saudáveis como: frutas, legumes e os alimentos integrais.

O fácil acesso aos fast-foods, mesmo com o aumento na prática de exercícios físicos, principalmente entre adultos em idade superior a 30 anos, na maioria dos casos faz com que as pessoas engordem. Esse aumento nas práticas de exercícios físicos, em grande parte, está associado a problemas de saúde.

Ainda, dado o paradoxo da nossa época, uma pesquisa desenvolvida na região de Rio Claro, São Paulo, e publicada no Jornal Cidade (edição de 21/05/2011), mostra que houve um aumento significativo no consumo de alimentos saudáveis nos últimos anos. Em cerca de 80% dos casos de aumento estão associados à recomendações médicas e ao combate da obesidade. O fato é que, como salientado na matéria do Jornal Cidade, os resultados positivos nas dietas à base de alimentos saudáveis e integrais são lentos, o que repercute no rápido abandono da dieta.

Como agravante de toda essa situação há mudanças significativas nas práticas lúdicas das crianças e dos jovens, que tem estimulado o uso do intelecto (jogos em redes de internet, vídeo games ou jogos de aprendizagem disponíveis em tablet’s e celulares), mas, pouco tem estimulado o uso do corpo e o gasto de energia através de atividades físicas. Essa situação sedentária tem sido uma das principais causas apontadas nesses documentários e reportagens para a existência da obesidade. Tanto que no topo do ranking de indicações médicas para o combate da obesidade estão a alimentação saudável e a atividade física. Dito isso, valeria a pena repensar os hábitos de vida e inserir um tempo para si mesmo na lista dos afazeres cotidiano, mesclando exercícios físicos com alimentação saudável. Só assim é possível a luta contra essa pandemia que é a obesidade.

 

Raquel da Silva Rodrigues: Acadêmica do Curso de Ciências Contábeis da UFMS – Campus de Três Lagoas.

 

Luciano Mendes: Administrador e Professor Doutor da Universidade Estadual de Maringá (UEM).