Farol de São Thomé: praia dos clamores

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Praia com quase 30.000 habitantes. Há 50 km de Campos dos Goytacazes, por que ainda não se emancipou?

Agências bancárias não existem por aqui, hospital também não. Há sim, um heliporto da Petrobras que valoriza muito a segurança de quem lá trabalha, mas, acidentes acontecem.

O que fará a Petrobras se um acidente acontecer em pleno Heliporto São Thomé? Sairá uma ambulância a pular de quebra mola em quebra mola nos 50 km a fora até chegar a um hospital? Ou os acidentados terão o privilégio de chegar de helicóptero em Campos?

Farol de São Thomé, praia do petróleo, de pescadores e afins, praia de gente guerreira que para fazer um curso, tem que contar com a boa vontade de um ônibus que hora passa e horas não passa, enfrentar uma viagem de 50 km e assim chegar ao seu destino.

Farol de São Thomé que na luta de cada dia, não tem uma agencia bancária para guardar o suado dinheiro dos comerciantes que rezando, vão fazer seus depósitos à 50 km de casa pedindo para não serem assaltados.

Dias vão, dias vem e um cartório se você quiser também não tem. O que falta para o Farol? A emancipação talvez. Emancipação significa o ato de tornar livre ou independente. Emancipação é a luta das minorias pelos seus direitos de igualdade ou pelos seus direitos políticos enquanto cidadãos. Mas, Farol não tem nada, não seria essa a intenção? Como emancipar se somos tão dependentes de Campos? Eis o “X” da questão.

Turistas por aqui só há no verão. Aliás, que saudade do verão. Farol de São Thomé é outra praia no verão. Turistas e mais turistas aceleram a economia local. Lazer e diversão não faltam. Que bom que pelo menos temos o verão. Calçadão iluminado, lixeiras por toda a orla, esportes, shows, trios elétricos.

A criançada tem seu próprio espaço, emprego não falta e quem diria, até shopping na praia temos aqui. Gente bonita e animada, como é bom o verão. Por fim, chega o carnaval, não sei se fico triste ou feliz. Quarta-feira de cinzas cura a ressaca e faz “esquecer” o que passou. O carnaval acaba. Farol de São Thomé deixa as boas vindas de lado e se conforma com o que ficou. “Todos” foram embora é uma pena que acabou.

Sabia que há moradores na praia do Farol depois que passa o verão?

Vamos passear, afinal, nós moramos aqui. Cadê a iluminação? Ah! O verão acabou. Cadê as lixeiras? Foram levadas embora. O espaço das crianças para onde foi? Agora tem espaço de sobra, sobrou mais espaço na praia, bastante areia para as nossas crianças brincarem. A criança está doente, não é dia de pediatra no postinho de saúde, mas, se você quiser, a 50 km daqui tem. Será?

O mar, ah! O mar. Que delícia o mar. Os bodyboarders adoram, afinal, acabou o verão, porém, o mar, esse ninguém pode levar.

Agencias bancárias, agencia do correio, cartório, hospital, ônibus na hora certa, turismo o ano inteiro, o Farol de São Thomé pede, o Farol de São Thomé clama. O que seria de Campos dos Goytacazes sem o petróleo que o mar do Farol dá. Royalties é nosso por direito, mas, papai Campos é que tem que cuidar. Não nos dá a emancipação e como “menor” não adianta chorar.

Farol de São Thomé, em 29 de julho, 131 anos, terra do petróleo e do mar.

Para quem mora aqui paciência é uma virtude, esperar é uma opção e lutar é uma obrigação.

 

 

 

Por Fabiana Henriques